
Após terminar em segundo lugar nas eleições para a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás (OAB-GO), com 2.981 votos e 13,75% dos votos válidos, o advogado eleitoralista Bruno Pena não abaixou a cabeça e em seu comitê, reuniu apoiadores para fazer um discurso em que projetou o futuro e destacou o caráter audacioso e independente de sua campanha. Pena reafirmou o compromisso de liderar a oposição ao atual comando da entidade e projetou sua participação nas próximas disputas.
Pena enfatizou que sua candidatura simbolizou resistência a um cenário político dominado por forças tradicionais. “Muitos duvidavam que conseguiríamos, mas nós montamos chapa, disputamos as eleições, fizemos uma campanha bonita e audaz, e mostramos que não temos medo de nos posicionar”, declarou. De acordo com ele, o resultado foi uma vitória para aqueles que defendem a democracia e não se curvam a propostas que comprometem seus princípios.
Ele também alfinetou os adversários, mencionando que sua campanha enfrentou adversidades sem recuar. “A advocacia agora sabe quem tem coragem e quem se esconde atrás do poder, quem foge de debates e quem enfrenta as questões de frente”, disse, referindo-se à ausência do presidente reeleito Rafael Lara em debates organizados durante o período eleitoral.
Usando uma analogia com a resistência da vegetação do cerrado, Pena afirmou que sua trajetória política na OAB-GO está longe de terminar. “Somos como as árvores do cerrado. Depois de enfrentar toda a violência de uma queimada, quando parece que está tudo acabado, é quando renascemos com ainda mais força. O florescer começa hoje”, declarou.
Para ele, a campanha foi uma semente plantada que será regada até as eleições de 2027, quando planeja retornar à disputa com uma base mais consolidada. “Se incomodamos em 30 dias de campanha, podem ter certeza que temos muito mais para mostrar nos próximos três anos.”
Bruno Pena destacou a diversidade de sua plataforma e reafirmou seu compromisso com a advocacia do interior, das periferias, das mulheres, negros, LGBTQIA+ e povos indígenas. Ele criticou a falta de transparência em questões como os honorários dativos, levantando bandeiras que prometeu continuar defendendo. “Nós vamos cobrar por que o juiz do TED recebe em dias, enquanto a advocacia leva anos para ser remunerada”, apontou.
Além disso, Pena cobrou uma postura mais firme da OAB-GO em relação ao descumprimento de acordos pelo governo estadual e abusos como invasões a escritórios de advocacia por forças policiais. “Não vamos abandonar a trincheira de luta. Não vamos abandonar a advocacia.”
O candidato fez questão de usar referências de grandes pensadores para sintetizar sua mensagem. Ao citar Darcy Ribeiro, destacou que os fracassos são uma forma de vitória para quem luta por ideais. “Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”, afirmou. Já com Ernest Hemingway, reforçou a importância das alianças formadas durante a campanha, que considera o alicerce de sua futura trajetória.
O discurso de Bruno Pena marcou o início de uma nova fase de sua atuação política na advocacia goiana. Para ele, a eleição representou a consolidação de uma oposição que promete ser mais vocal e presente na defesa da classe. “Hoje plantamos a semente de uma advocacia mais livre, independente e corajosa. E já começamos a trabalhar para que, em 2027, essa semente dê frutos.” Apesar da derrota, Bruno Pena demonstrou confiança de que o resultado não enfraquece sua mensagem. “É um dia de cabeça erguida. Celebramos a nossa vitória moral, porque estamos do lado certo, ao lado da advocacia real”, concluiu.